segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Lázio: a bela arquitectura romana


Atenção a esta Lázio de Roma. Chegados ao final do ano, vemos a Lázio nas posições cimeiras da Série A italiana e, para esse facto, muito contribuiu o belo edifício, sob a forma de equipa de futebol, erguido por Claudio Lotito e esculpido pelo treinador Edy Reja. Confesso-me admirador dos underdogs, seguidor dos menos cotados nas casas de apostas e, por essa razão, a Lázio sempre mereceu a minha atenção pessoal.

Embora apenas tenha reaparecido esta época com uma formação capaz de lutar pela Europa, a laziale já possuía nos seus quadros jogadores suficientemente fortes para me provocar arrepios capilares. Do propalado Zárate, passando por Ledesma, acabando no elástico Muslera, rei das balizas uruguaias. Este Verão, reforçaram-se com um dos melhores volantes da América do Sul (assim apelidados em terras de Vera Cruz), jogador que muito estranhei ter aterrado em Roma, ainda para mais para representar o parente pobre da cidade. Mas o xadrez romano apenas ficou completo hoje. É capa de muitos díários italianos a eminente contratação de Roque Santa Cruz, ao Manchester City. Se a este nome juntarmos os de Rocchi e Floccari, podemos repetir: atenção a esta Lázio de Roma.

Era esta a peça que faltava aos romanos? Poderá intrometer-se na luta pelo título? Acha que os clubes portugueses poderiam ter feito um esforço, tendo em conta que a Lázio apenas pagou 300.000 mil euros pelo empréstimo, com opção de compra de 3M?

José Borges

domingo, 26 de dezembro de 2010

O que falta a este Liverpool?


Depois de amenizadas as dificuldades financeiras do clube da cidade dos Beatles, é agora tempo de reestruturar a sua equipa de futebol. O Liverpool, à imagem do sucedido com outros grandes do futebol inglês, sempre primou por conseguir manter os mesmos nomes na equipa, ano após ano. Será certamente essa a base do sucesso de Manchester United e Chelsea mas, apenas resulta quando esses nomes tem qualidade extra. Claramente, este Liverpool necessita de dar o salto qualitativo.

O primeiro passo foi dado com o assegurar da continuidade das duas figuras da equipa, Gerrard e Torres, mas essa revitalização de que falo não se pode esgotar aí. A chegada de Raúl Meireles foi importante, depois da aposta falhada em Aquillani no ocmeço da passada temporada. Lucas terá papel decisivo no futuro do Liverpool mas, por exemplo, já não consigo colocar Joe Cole no mesmo patamar. O inglês parece-se muito com o género de jogador que necessita de um background motivacional para render aquilo que apregoava nos tempos do West Ham e, mais tarde, com Mourinho, no Chelsea. Aliás, em Inglaterra, a imprensa acusa-o de ser movido a...euros.

Mas é no ataque que seria entusiasmante ver caras novas. Torres necessita de uma mudança de ares para voltar a ser El Niño, aquele furacão devastador que aterrou em Anfield. O resto dos jogadores não passam de apostas falhadas de treinadores antigos, com N'Gog e Babbel à cabeça. Por isso, e respondendo à pergunta sobre onde eu gostaria de ver Dzeko (entretanto posto à venda pelo Wolfsburgo), a resposta só pode ser o Liverpool. O futebol inglês é tudo aquilo que o bósnio pode sonhar para si. Não descurando uma análise cuidade das suas características base, claro.

Acha que o Liverpool tem condições para aliciar Dzeko? Que outros jogadores poderiam reforçar a turma de Anfield Road?

José Borges

sábado, 25 de dezembro de 2010

Este Arsenal necessita de um novo...Jefecito!


Tenho por hábito recordar jogos de temporadas passadas nos canais por cabo que me o permitem fazer. Num desses jogos, revi um Manchester United-Arsenal, da época 2000/2001, e voltei a apaixonar-me pela forma como um jogador conseguia engolir o espaço à sua volta. Uma, duas, três passadas no máximo, eram o suficiente para aquele jogador, de origens mais exóticas que aquelas que à data eram a realidade, absorver e chamar para si o controlo das operações. Era um chefe. Um patrão. Não só da zona do campo onde actuava, mas de toda uma equipa. Patrick Vieira. Olho para o Arsenal de hoje de Wenger e não consigo descodificar um jogador desta natureza, o engolidor de espaço. E ele faz falta. Mais que ao Arsenal, mas ao futebol britânico em geral.

É por isso que vejo com bons olhos o circular de noticias que dão conta do interesse do treinador gaulês dos gunners, em Javier Mascherano. Sim, o argentino chegou no último verão à cidade Condal. Sim, foi um dos melhores negócios do Verão. Sim, ele rende quando é chamado a intervir na equipa, mas...está tapado por um campeão do mundo. Está tapado por uma essência do Barcelona, especificamente naquela posição, que, ainda por cima, é um produto da formação blaugrana: Pedro Busquets. Enquanto isso acontecer, dificilmente Mascherano jogará assiduamente na equipa blaugrana.

O Arsenal, renovando os ecos de Inglaterra, estaria disposto a oferecer 22 milhões de euros pela sua contratação. Não me parece muito crível que o Barcelona se deixe deslumbrar pelos valores apresentados, até porque, desde o início que o argentino sabia que não seria um titular indiscutível. No entanto, seria um prazer poder voltar a ver El Jefecito todas as semanas no meu televisor. De preferência nos verdes campos de terras de Sua Majestade.

Concorda com esta parca utilização de Mascherano no Barcelona? É superior a Busquets? Que outro jogador amadureceria este Arsenal?

José Borges

Juventus e a nova coqueluche sérvia!


"Salta com noi Gigi Buffon!". O cântico não se têm feito ouvir no Olímpico de Turim, porém, há um novo mago dos Balcãs que faz a Zebra bianconera perder todas as suas unhas sempre que o novo Nedved embala e entorta pela direita. É Krasic, o sérvio com a mesma chegada ao golo que o checo tinha.

Vendo esta nova Juventus de Gigi Del Neri, é possível verificar que houve um corte com o passado. A equipa já não vive da meia distância de Del Piero, do fatalismo de Trezeguet e do rendilhado táctico conferido pelo brasileiro Diego, preso nas malhas do calcio. Ganhou velocidade, ganhou irreverência, mas talvez a sobrenceria, a arrogância que marcou o futebol bianconero nos últimos anos, se tenha perdido. No centro da defesa, um muro, a antítese do que é o central italiano elegante: Chiellini.

O meio-campo da Velha Senhora é populado com muito músculo, ao qual se juntou esta temporada Aquilani, vindo do Liverpool, que faz agora companhia ao nada consensual Filipe Melo, jogador que peca, sobretudo, pelo excesso de agresividade que empresta a cada lance. Para dar ainda mais peso ao centro do terreno, Sissoko, o típico médio possante africano que confere estabilidade, mas também problemas de rins, à sua equipa. Mas a criatividade volta a ter um nome forte, e também nas alas: Simone Pepe, velocista, e repentista, da nova vaga do futebol transalpino. Já não se poderá dizer qe é uma promessa, mas veio conferir ao futebol da Juventus o bom futebol pelas linhas que tinha perdido com a saída de Camoranesi, que finalmente abandonou o Calcio.

Objecto de muitas especulações neste quase defeso invernal, a frente de ataque continua a contar com os mesmos nomes, há já alguns anos. Se Amauri tem revelado um recente débil faro pelo golo,Quagliarella trouxe uma refrescante aragem nos processos de finalização da equipa.Del Piero bateu este ano o recorde de número de golos pelo seu clube de sempre, a Juve. Mas, como tudo, não é eterno. Apesar de em Itália essa expressão muitas vezes parecer não fazer sentido...

José Borges

A revolução do Málaga


A revolução do Málaga, um novo rico na liga espanhola, começou a ser operada esta época com a chegada de um novo milionário à presidência do clube espanhol. A equipa reforçou-se com alguns bons nomes, contratou um dos mais titulados treinadores portugueses, elevando assim as expectativas dos seus aficionados. No entanto, nem tudo correu conforme planeado. Jesualdo Ferreira foi despedido ainda a meio da primeira metade da temporada e, para seu lugar, chegou um técnico que já tem um passado de sucesso na principal divisão espanhola, de seu nome Manuel Pellegrini, ex-Villarreal e Real Madrid.

Mas é agora que o Málaga pretende fazer a derradeira aposta no seu futebol. Os nomes a circularem na imprensa crescem a cada dia, deixando os adeptos com água na boca. As petições do seu novo treinador irão certamente levar Abdullah Bin-Nasser Al-Thani a abrir os cordões à sua bolsa, havendo, segundo se diz, dinheiro suficiente para contratar 10 novos bons jogadores.

O clube já tem atado aos seus destino o ex-Bayern Munique, o central argentino Demichelis, que este ano por usufruir de poucos minutos de competição na Bundesliga, disse sim ao projecto do clube espanhol, que luta para se salvar dos lugares de descida. Mas há mais: a formação de Málaga está perto de garantir os serviçõs de júlio Baptista, proscrito na Roma, e de Ignacio Camacho, que também não alinha regularmente no Atlético de Madrid. Gervinho, do Lille, e Javi Guerra, do Valladolid, também estarão na calha.

Serão estes os reforços de que o Málaga necessita para se tornar grande em Espanha? Qual é o verdadeiro impacto que estes novos donos árabes, americanos, etc, tem no mercado de transferências? Que outros jogadores poderiam interessar ao Málaga?

José Borges

Fábio Coentrão no onze d ano do L' Equipe


Não se poderá dizer que tenha sido uma surpresa de maior ver o nome do jogador, originário das Caxinas, naquela que é a uma das nomeações mais honrosas e que servem para destacar a prestação de um jogador ao longo de todo um ano civil.

Apelidada, esta presença, em França, como "surpresa", considero que foi inteiramente justa esta eleição para a equipa do ano pelo diário desportivo francês. Coentrão assinou uma excelente época no Benfica, demonstrando toda a sua evolução no seu jogo, dando continuidade a essas boas exibições durante o Mundial na África do Sul. O vila-condense foi mesmo crucial no regresso dos encarnados à conquista do título nacional.

Os restantes nomes que compôem a equipa, são, e por orden de nacionalidade: Piqué, Xavi, Sergio Busquets e Andrés Iniesta. O guarda-redes do Real Madrid, Iker Casillas, completa a “armada” espanhola. O jornal gaulês elegeu ainda outro jogador da equipa catalã, o argentino Lionel Messi.Os defesas brasileiros do Inter, Maicon e Lúcio, também entram no melhor “onze” do ano, que fica completo com o holandês Wesley Snejder, também da equipa “nerazzurra”, e com o alemão do Bayern, Bastian Schweinsteiger.

Considera justa esta eleição de Coentrão para este onze do ano? Se não, que outros nomes par sua posição se notabilizaram ao logo deste ano? Além dos nomes já mencionados, qual seria o seu onze do ano?

José Borges

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Dinamite de Bruxelas: Lukaku


Com origens na Antuérpia, eis que surge na última temporada um avançado que promete assombrar o mais físico dos defesas. Iniciando a sua carreira no futebol juvenil ao serviço do FC Bruxelas, foi quando Lukaku se mudou para o parente rico da cidade, o Anderlecht. Rapidamente se começou a destacar na formação do clube belga, averbando um golo por jogo em todos os jogos da equipa de reservas. Começava assim a tornar-se no melhor “aluno” da formação Púrpura de Bruxelas, preparando desse modo a sua chegada à equipa principal.


Beneficiando de um físico imponente (1,92m e 94kg), o futebol de Lukaku, como é passível de ser subentendido, não se esgota no poderoso jogo aéreo ou num jogo musculado em que o uso do corpo é palavra de ordem. Não. O jovem belga dispõe de mais argumentos. A juntar ao manancial já mencionado, Lukaku é um genuíno avançado, jogando muito bem fora de área, fazendo bom uso da vantagem de não ter propriamente um pé preferido, aproximando-se e sendo letal dentro da grande área.


Desde a sua explosão com aos seus tenros 16 anos, não demorou muito a começar a discussão sobre para quando estava prevista a sua chamada aos trabalhos da selecção. A discussão subia de tom, até pelo facto de a Bélgica não dispor de um grande avançado à muito tempo. Essa estreia pelo combinado belga aconteceu frente à Croácia, secundado por Dembelé e uma outra estrela, que agora está nos blocos de notas dos olheiros mais reputados: Eden Hazard. Lukaku não marcou, mas dizem as crónicas do jogo que revelou um imenso à vontade e um excelente jogo posicional para alguém da sua idade. Depois de Luc Nilis e Marc Wilmots, a Bélgica voltava a ter um jogador-chave a quem agarrar as suas esperanças futuras.


Mas Lukaku deverá manter os pés assentes no chão. Aconselhado pelo seu pai (também ele um ex-futebolista profissional), é normal que o muitíssimo jovem belga ainda não tenha capacidade para medir a carga que desde tão cedo insistem em colocar-lhe nos ombros. Por forma a aliviá-la, o treinador do Anderlecht conta com uma frente atacante que lhe permite preservar Lukaku sempre que necessário. Fundamental? Claro. São demasiados os casos em que estas jovens estrelas se perdem pelo caminho, perdendo um brilho que nunca chegou a ser completo.


Bem ao estilo de Usain Bolt, Romelu Lukaku é um atleta que pode afirmar com toda a convicção que é mais que poderio físico. Pela amostra dada, o belga é claramente capaz de se fazer notar em campo, mesmo antes de ver o seu nome na lista de marcadores.

Aos 17 anos e já com estatuto de titular da selecção belga, por onde passa selecção rá o destino de Lukaku? Será ele a próxima referência de ataque do futebol mundial, sucedendo a nomes como Drogba e Eto´o? Aproveitando o exemplo do avançado do Anderlecht, que, aos 16 anos já jogava com regularidade na equipa principal, deveriam os clubes portugueses apostar mais nos jovens portugueses, indepentemente de terem 16 ou 17 anos? Por exemplo, jogadores como Bruma, Ricardo Esgaio, Sancidino Silva, Lupeta, entre tantos outros, poderiam já nesta fase das suas carreiras jogar na nossa Liga profissional?

José Borges

Será Kagawa a peça que falta ao Real Madrid?


Kagawa é, neste momento, a grande sensação da Bundesliga. Bem secundado por Nuri Sahin, o turco do Dortmund no meio-campo, este avançado nipónico, oriundo do Cerezo Osaka, no verão passado, tem queimado etapas no principal campeonato germânico à velocidade da luz.


Actua como avançado/extremo/médio ofensivo, joga de igual forma com os dois pés e, com a sua velocidade endiabrada atormenta qualquer rival que se lhe depare. O seu jogo de desenhos animados não passa despercebido a clubes de grande dimensão, entre eles o Real Madrid. Ecos de Madrid dizem que José Mourinho está muito agradado com o japonês e que é um dossier que ele não pensa fechar.

Apesar de estar necessitado de um avançado devido à lesão de Híguain, parece complicado que, apesar da vontade já expressa por Mourinho em contratar um avançado, o Madrid avance no mercado de inverno e faça uma proposta por Kagawa. Os diferendos entre presidente/director desportivo também não ajudam a que se faça a vontade ao técnico luso. Comenta-se, em Espanha, que há mais pretendentes por Kagawa, entre eles o Barcelona, Sevilha, Valência, Villarreal e o Espanhol.

Dificilmente veremos este talentoso avançado em qualquer um destes clubes, sendo quase certo que em Dortmund se continuará a disfrutar do futebol do asiático. Mais um exemplo da qualidade da gestão e escolha dos seus activos, que é por demais inteligente, analisando o preço pago pelo jogador, e o que ele irá render aos cofres do Borússia.

Acha que Kagawa é o jogador que falta a este Madrid? Estrá o nipónico preparado para dar o salto para um tubarão europeu? Se não Kagawa, quem poderia o Real contratar para suprimir o espaço deixado vazio por Higuaín?

José Borges

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Manchester united procura substituir Van der Sar

Apesar da chegada do dinamarquês Lindgaard a Old Trafford, a busca pelo substituto ideal de Edwin Van der Sar não cessou. Alex Ferguson já anunciou que esta é a última época do internacional holandês, contudo, não obstante à ambição do jovem escandinavo em ser o escolhido para substituir a título definitivo o actual guarda-redes de 40 anos do United, há mais nomes que se perfilam como estando na calha para desembarcar em Manchester na próxima época. A saber:

Hugo Lloris: Não é apenas o Manchester United que está interessado em Lloris. O guarda-redes do Lyon é constantemente associado a grandes clubes europeus, como o caso do Arsenal e do Milan, apesar de este último se ter reforçado com Amelia no passado defeso. Um dos alvos mais caros e difíceis se a escolha recair neste francês, já titular da sua selecção.

Manuel Neuer: O alemão é um esteio do Schalke 04, e recebeu a preciosa benção de Oliver Kahn para se assumir como titular na guarda das balizas da selecção alemã. Fala-se que terá acordado com a direcção do emblema germânico a sua continuidade no clube até 2012, pelo que só por uma verba extraordinária qualquer clube o conseguiria levar da Alemanha.

David de Gea: O guardião formado na camadas jovens do Atlético de Madrid, apesar de extremamente novo, é cada vez mais uma certeza nas balizas espanholas. Aproveitou a lesão de Sérgio Asenjo para ganhar um lugar na equipa, e daí para cá não mais o largou, provando a cada jogo que está pronto para altos voos na sua ainda curta carreira. Fala-se que terá um acordo com o Manchester United, recebendo o Atlético 20 milhões de euros.

Allan McGregor: Será a opção menos consensual em Manchester, mas é sabido o apreço que Ferguson nutre pelo seu conterrâneo. Titular no Rangers, da Escócia, seria a opção mais económica, mas que menos descansaria os adeptos do United para o futuro.

Qual destes guarda-redes se encaixaria melhor no United? Qual teria um maior impacto imediato na equipa? Vê algum guardião além destes com valor para assumir o lugar do veterano holandês? Há algum na nossa liga com capacidade para chegar a um clube como o Manchester?

José Borges

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Hulk, a grande figura da liga até ao momento!


"Até o seu pé é inteligente". A frase é de Michel Hidalgo, poeta e antigo futebolista francês do fabuloso Reims dos 50', equipa gaulesa que ousou olhar nos olhos o Real Madrid de Di Stéfano na final da Taça dos Campeões Europeus de 1956. Referia-se a Michel Platini, um dos últimos percursores do belo futebol galo. Platini criou uma relação a dois com a bola mas, acima dessa intimidade, saltava à vista o ar frio e calculista com que abordava cada lance, como se não obtivesse qualquer prazer de estar ali, num campo, com os demais. O francês industrializou-se, colocou as emoções de lado, tornando o seu jogo, mais frio...mais inteligente! Frieza essa que era recebida calorosamente pelos seus companheiros. Não deixa de ser um antagonismo: a frieza humana, correlacionada com a emotividade no relvado. A resenha estava criada, e é de uma nova industrialização que hoje vos falo.

Há poucos meses atrás, Fábio Coentrão deu razão à visão descrita em cima. Dizia ele que "antes só pensava com os pés", dizendo sentir-se hoje um verdadeiro jogador de futebol. O caso é semelhante, e transporta-nos para Hulk. Após a saída de Dí Maria para o Real Madrid tornou-se, inquestionavelmente, o jogador mais desiquilibrador e, acima disso, desiquilibrante para qualquer equipa. O futebol do brasileiro esta temporada funciona como um rastilho que, quando aceso, sabe-se que poderá explodir a qualquer instante. É precisamente isso que têm sucedido, números e estatísticas individuais à parte. Mas é precisamente aqui que queríamos, e devíamos, chegar. Desde cedo emigrado e sujeito a uma nova realidade, Hulk teve a possibilidade de explanar todas as vertentes do seu futebol. No Japão fazia uso da sua técnica e velocidade mas, chegado à Europa, e a um clube habituado à alta roda do futebol europeu, o seu jogo tendeu, e tende a desenvolver o aspecto fisíco mas sobretudo...a inteligência. O "jogo de cabeça" de que falava Coentrão. Os números não mentem: apesar de continuar por limar algumas lacunas no seu jogo (recorde-se os enúmeros exageros quando com bola), o "Incrível",como é apelidado pelos adeptos do Porto, tornou-se no jogador de campo que mais bolas recupera por jogo. Isto é sintomático da razão que nos leva a afirmar o seguinte: Hulk tornou-se um jogador de equipa (não descurando a sua preciosa singularidade, como visto em Guimarães e no Dragão, diante do Benfica), e a equipa finalmente se entregou ao futebol revoltado de Hulk.

Experimentem ver um jogo do Porto desta temporada, e em seguida atentem em qual foi o melhor marcador da equipa o ano que passou, e o que vêm sendo esta época. Fica só a sugestão, mas que julgo ser elucidativa na confiança que a equipa põe no jogo do brasileiro. Resultado da transformação: prémio de melhor jogador do mês de Setembro. Como eu disse, sintomático!

José Borges