quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Freddy Adu: Tomahawk americano que nunca explodiu


(Escrevi edte texto quando Adu estava no Aris, na Grécia. Hoje soube-se que está à experiência num clube da 2.ª divisão alemã)

Cães raivosos. Freddy Adu vê-os por toda a parte em Thessalonika. Revolvendo os contentores do lixo num terreno que é seu por marcação. Contentores agrupados à porta de um hotel que foi a sua casa durante dois meses. A segunda maior cidade da Grécia é bonita em vários aspectos: as praias, bons restaurantes, as sedutoras mulheres que por lá se passeiam. Mas, por mais que Adu se esforce, ele não consegue evitar os cães raivosos.

Eles são uma ameça constante na luta do americano para se fixar no futebol europeu. Seis anos depois de ter feito a sua estreia como profissional, aos 14 anos, Adu ainda procura atingir um jogo consistente no Aris, o seu quarto clube europeu em três anos. Ele vive uma dupla-existência. Para a mainstream de adeptos do soccer na América ele permanece como um dos seus melhores executantes. Adu tem perto de 350.000 seguidores no Twitter (mais do que todos os futebolistas no mundo, excepto Kaká). Esteve sentado no sofá de David Letterman, entrevistado durante 60 minutos e ainda viu o seu nome numa das letras de Jay-Z.

Mas a maior das supresas estava para chegar. Adu não estaria na África do Sul. Com a baixa produção apresentada em Portugal e em França antes de chegar à Grécia, algo difícil de prever quando em 2003 ele estava a assinar um contrato de um milhão de dólares com a Nike e a tornar-se o jogador mais bem pago na MLS, mesmo antes de dar um pontapé numa bola na liga norte-americana. Foi apadrinhado por Pelé e apelidado, pelo comissionário da MLS, Ivan Gazidis, de "melhor jogador jovem do mundo".

Há muitas questões sem resposta. O que aconteceu a Adu? Porque mostrou potencial em ligas profissionais de faixa etária baixa, mas falhou quando chegou à Europa? Ainda tem um futuro na selecção americana? Quantas mais oportunidades lhe serão concedidas?


Se até aqui isto soa a uma história tiste, porque é que Tim Howard, guarda-redes titular dos Estados Unidos, mantém a opinião de que "Adu tem capacidades com a bola, que não muitos - se é que algum a terá - futebolistas americanos possuem"? Estará Adu preocupado? "Tenho apenas 21 anoos", responde ele, exibindo o seu sorriso magnético. "As pessoas entram logo em pânico quando as coisas não correm bem. Eu não. Ainda tenho um longo caminho a percorrer mas, sinto que estou na rota certa".


Dia de jogo em Thessalonika. É uma gloriosa noite de primavera, o tempo perfeito para um embate escaldante entre o Aris e o PAOK. À medida que os joagdores marcham até ao terreno de jogo, os movimentos na bancada sugerem que, a qualquer momento, o fogo-de-artifício lançado será mais brilhante que qualquer incidência durante os noventa minutos. Nada nos Estados Unidos - ou na Europa - se assemelha ao ambiente do campeonato grego. "É de loucos aqui", diz Adu. Acreditamos. Desde que Adu e o seu compatriota Eddie Johnson se juntaram ao Aris em Janeiro, o cenário tornou-se mais dantesco ainda.



Que correu mal na carreira de Adu? Foi mal gerida? Não tem o potencial que se lhe descortinava?

José Borges

2 comentários:

lawrence disse...

Será que Adu, vindo de onde vem, tem algum complexo de superioridade ao qual os europeus tenham que se adaptar?
Ou será que é mais um jovem com muito dinheiro à frente dos olhos e não consegue manter os pés assentes?
Ou será um caso de fraqueza psicológica perante grandes desafios?
A verdade é que veremos cada vez mais jovens a passar ao lado da chamada "grande camioneta".
Desejo muito é que pelo menos não se percam como pessoas!

Miguel disse...

Aguardo ansiosamente mais textos seus pois são muito bons.

Nova votação já a decorrer.

Vamos sugerir reforços para os grandes e cabe ao leitor escolher qual a solução que mais lhe agrada.Vamos fazer sobre todos os grandes e começamos pelo Sporting, sugerindo vários nomes.

Escolha o que mais gosta!!

http://imperiofutebolistico.blogspot.com/

Abraços